PH 87: Várzea do Tietê e as origens do Futebol

Paixão nacional, o futebol espalhou-se pelo Brasil como um dos mais notórios símbolos de uma volátil (e questionável) identidade nacional. Na cidade de São Paulo, a aparição e difusão do esporte esteve intimamente ligada com o uso dos terrenos das várzea dos rios: amplos espaços, secundarizados pelo desenvolvimento urbano da virada entre os séculos XIX e XX, mas que se mostraram de suma importância para a formação da identidade popular da cidade.
Nesta semana, o Pedal Hidrográfico vai percorrer alguns dos pontos mais importantes deste cruzamento entre o Tietê e o futebol. Começando pelo terreno do antigo estádio do Parque Antártica, atual Allianz Parque, epicentro de identidade do Palmeiras, antigo Palestra Itália. Tais mudanças de nomes não são meras coincidências, pois revelam tensionamentos entre distintas concepções sobre o futebol, a vida e o mundo.
Em sequência, encontraremos clubes que, apesar de serem menos conhecidos, marcaram a história do desenvolvimento de São Paulo e da várzea do Tietê: o Nacional Atlético Clube e o Anhanguera e o União dos Operários. Entre eles, as frestas da cidade nos presenteiam com o marco inicial do mais popular time de São Paulo e do país, bem como com o estádio da Portuguesa, um de seus clubes mais tradicionais.
As curvas do Tietê nos levam para as origens operárias da expansão da cidade, tendo uma de suas possíveis fozes (reconhecemos que ela não é definitiva) em um largo terreno na várzea do Tietê, que abriga o mais antigo estádio do Sport Club Corinthians Paulista.
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