PH 56 & S 6: O Trem e o Meteoro

Partindo das margens do Riacho Água das Pedras duma das estações que ainda vive do Ramal Jurubatuba, da Estrada de Ferro Sorocabana, seguimos por seus enterrados trilhos até a demolida estação da Colônia, onde se localiza um dos mais notórios geossítios do entorno paulistano: A CRATERA.
Lá, um meteoro aterrissou e permaneceu conosco desde o Plioceno e seu impacto formou dois anéis concêntricos, com amplitude para separar e entortar o Rio Capivari de seu originário fluxo vindo das nascentes da Serra do Mar para uma conexão livre e desamarrada com o Jurubatuba. Nocauteado, o Capivari se vê envolvido com o Rio Embu Guaçu, mas de tão desfalecido, eventualmente este se torna vítima da captura fluvial dos afluentes altaneiros do Itanhaém para hoje afluir ao oceano. Na volta, visitamos o túmulo de sua vazão que hoje é o Ribeirão Cauim, testemunho-planície de águas que já vazaram dos afloramentos rochosos da Borda da Serra.
Na cratera avistamos panorâmicos muros verdes por todas as direções. Por onde os alemães de Santo Amaro ao se depararem com os solos cristalinos de bate pronto se reconheceram como jecas descalços, com milho e feijão na cumbuca. Estaremos lá para almoçar e apreciar as paisagens e as matas deste singelo ambiente. Quem sabe não conseguimos voltar a tempo para o protesto: não à pec da blindagem e não à anistia!
Inspirações usadas para este devaneio:
A. H. B. D. Santos e D. D. Oliveira, “Trajetórias do Rio Capivari: implicações de um impacto meteorítico na drenagem no reverso da Serra do Mar, São Paulo, Brasil,” GEOgrafias, vol. 4, no. 2, pp. 69–76, Oct. 2022, doi: 10.35699/2237-549X..13253.
A. N. Ab’Saber, Geomorfologia do sítio urbano de São Paulo. USP-FFCL, 1957.
Rota: https://ridewithgps.com/routes/52515917
801 quilojaules (Frito)
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Alguns elaboradores: Danilo Lessa Bernardineli
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