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PH 59: Bico do Caaguaçu

· Pedal Hidrográfico

PH 59: Bico do Caaguaçu

"Caaguaçu" era o nome dado pelos indígenas para o espigão central dos campos de Piratininga. A toponímia significa mata grande, devido às araucárias que "surgiam isoladamente na mata e varavam o céu" (Ab'Saber), e que ainda podem ser encontradas em alguns pontos da periferia. Apesar da altura destacada em relação às várzeas que o circundam (quase 100m acima do Tietê), esse divisor de águas - ocupado desde priscas eras - não está ali por ser composto de material resistente. Pelo contrário: assim como toda a região do centro expandido, essa espinha dorsal da cidade é material sedimentar e, portanto, mais instável.

Para além da curiosidade geológica, a presença desse extenso maciço nos faz entender essa região da cidade como uma mega escultura entalhada pelas águas de dezenas de milhões de anos. Não a toa possui uma formato alongado - que vem de Diadema ou ainda além. Se trata de um interflúvio (entre rios) escavado principalmente pelos três maiores rios da cidade que nascem na serra em direção ao interior do estado: Pinheiros, Tietê e Tamanduateí.

Apesar de ter escapado da erosão do entorno, suas vertentes passaram a ser cavadas, quase que perpendicularmente, pelos riachos abastecidos pela profusão de nascentes, formando sulcos sobre os quais a cidade foi se estabelecendo. Na rota de hoje, atravessaremos alguns deles: pacaembu, sumaré, água preta, tiburtino e fortunato ferraz. Esse último atravessa o peculiar bairro da Vila Anastácio, uma vizinhança entre ferrovias que se estabeceu num fragmento de planície fluvial que marca o fim do maciço e está próximo do encontro dos rios.

Ao pedalar pelos sopés dessa colina geohistórica, nos propomos mais uma vez a fiar as linhas imaginárias de outros tempos e outras paisagens.

Referências: Caio Prado Jr. "A cidade de São Paulo - Geografia e História" (1935)

Rota: https://ridewithgps.com/routes/52939892
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